Índice

21.8.09

XV

Demorei 2 meses a falar com a Ginny. 2 meses inteirinhos. Sempre que ia para falar com ela, acontecia alguma coisa. Ou o irmão a chamava, ou ela dizia que tinha algo para fazer. Até parece que sabia o que eu tinha para falar com ela.
Quando acordei no primeiro dia de férias do Natal, apercebi-me que era hoje ou nunca. Olhei para a cama dela e ela não estava lá. Onde estaria a Ginny? Vesti o manto por cima do pijama e saí porta fora do quarto. Também não estava na sala comum. Não acredito que ela me faria procurá-la pelo castelo inteiro.
Eu tinha pouco tempo, não podia desperdiçá-lo assim. Quando passei pela Dama Gorda vi o Ron, a Hermione e o Harry. Corri para junto deles.
- Viram a Ginny? - perguntei desesperada.
- Bem, eu vi-a descer aos calabouços. Deve ter-se esquecido de alguma coisa na sala de poções.
- Sim, pois deve. Vou lá ter com ela.
Corri até aos calabouços com vontade de amaldiçoar a Ginny por desaparecer assim. Quando lhe pussesse as mãos em cima nem sabia o que lhe ia acontecer.
Deparei-me com ela em frente à porta de poções estática.
Toquei-lhe no ombro e ela deu um salto que até me assustou.
- Que ... que estás aqui a fazer? - perguntou-me ela.
- Preciso falar contigo, e não pode passar de hoje.
Abri a porta de poções, certifiquei-me que estava vazia e entrámos as duas lá para dentro.
- Colloportus
- Para que foi isso? - perguntou-me Ginny.
- Assim ninguém nos incomoda. Senta-te.
Sentámo-nos as duas e olhei-a de frente bem nos olhos.
- O que tenho para te dizer pode deixar-te chateada comigo, mas não aguento mais esconder-te isto.
Ela manteve-se normal, embora eu tenha reparado que a respiração dela acelarou, sinal que o coração estava a bater mais forte.
- À uns meses atrás encontrei o teu diário no chão e li umas passagens que escreveste em relação ao Malfoy.
Ela continuou normal, mas começou a mordiscar o lábio, como que a prender o riso.
Continuei fingindo que não tinha visto.
- E bem, eu tenho-me encontrado com ele porque descobri que tenho um dom que precisava de domar. E ele foi meu professor pois sabia como me treinar.
Lá continuava ela a morder o lábio.
- Sei que li que gostas dele e preciso dizer-te que também comecei a gostar dele, e por muito que eu não te queira magoar, acho que ele sente o mesmo. - olhei para ela ver como reagia - Claro que não tenho nada com ele se isso te magoar muito. - apressei-me a acrescentar.
Foi a gota de água. Ela desatou-se a rir como se alguém lhe tivesse a fazer cócegas nos pés com uma pena.
- Que foi Ginny?
- Bem, Char ... - ela bem que começou a falar, mas não conseguiu controlar o riso.
- Diz de uma vez como te sentes.
Ela respirou fundo, olhou para mim e disse:
- Eu não gosto dele. Pensei que gostava, mas depressa me passou essa ideia. Claro que leres o meu diário foi um pouco mau, e podias ter confiado em mim esse segredo do dom desde o inicio, mas se gostas dele e ele gosta de ti penso que deves ir em frente.
- Então afinal sempre gostas do Harry?
- Sim, bem, sempre gostei não é verdade?
Começámos a rir as duas, até que me apercebi que o Draco devia estar prestes a ir embora.
Corri até à porta (bem que me fartei de correr neste dia) e tentei abri-la. Nada. Tentei outra vez. Não abria nem para um lado nem para outro. Veio a Ginny por trás de mim e disse-me:
- Quando fazes um feitiço certifica-te que sabes como o desmanchar! Finite!
A porta destrancou-se e lá segui eu (ainda de pijama, só como manto por cima) até à entrada.
Corri como nunca tinha corrido, não podia deixá-lo ir sem falar.

1 comentário:

  1. ´Tou ansiosa pra saber o que vem no próximo capítulo (embora seja de adivinhar, né? ;D)

    ResponderEliminar