Cheguei mesmo, mesmo à continha. Estava ele a sair a porta quando lhe mandei uma mensagem mental."Espera Draco"Ele olhou para trás, viu-me e parou. Estava com mais Slytherin's, incluindo a Pansy mas não me importei. Fui para junto dele e puxei-o por um braço para dentro de um armário de vassouras.- Já tenho a tua resposta.- Pensei que já não viesses.- Eu sei que demorei, mas é que a Ginny desapareceu hoje de manhã.- Sim eu vi-a nos calabouços. Disse-me que eu não devia sair do castelo com assuntos pendentes. Lembrei-me logo de ti, mas ela não me disse mais nada.- Pois bem eu falei com ela ...- E ?Fiquei corada, e ele também. Não precisei falar mais, ele conseguiu entender a minha resposta sem precisar até de recorrer à minha mente.Abraçou-me.- Guarda aquela carta que a Pansy te deu. Era mesmo a ti que eu ia dar.- Como sabes da carta?- Ela disse-me. Tentou fazer-me acreditar que tu não voltarias para falar comigo. Sinceramente, quase acreditei, até agora.- Bem ... tens de ir não é?- Pois, acho que sim. Acompanhas-me?Acedi imediatamente.Acompanhei-o até às carruagens com cavalos invisiveis. Quando ele ia para entrar, depositou-me um beijo na testa.- Isto é um sinal de respeito. Se eu voltar, mostrarei a todos, incluindo ao Potter e aos amigos que uma pessoa pode mudar.Sorri-lhe e fiz-lhe uma festa no cabelo.A Ginny tinha razão no que tinha escrito, aquele cabelo dava vontade de mexer. Ele entrou na carruagem e eu vi-o partir acenando-lhe.Podíamos não ter dado um beijo que muitos diriam que era a sério, mas eu sentia-me melhor assim. Iria ficar as férias todas a pensar no beijo e se voltaria a vê-lo.Assim ao menos se ele não voltasse a dor seria menor. Mas eu sentia, bem no peito que ele voltaria. Senti anteriormente o desespero dele e agora sentia esperanças e certezas de que o voltaria a ver.Quando ele entrou no meu vagão no inicio do ano, achei-o o maior convencido à face da terra, agora que o conheço vejo que ele só aparenta isso, não o é.A carruagem fez a curva, dirigindo-se para a estação de comboios e eu subi os campos, de braços cruzados para prender o manto por cima do pijama (estava frio!).Sabia que tinha encontrado alguém especial, que me ia fazer muito feliz.Como sabia isso, não conseguia explicar.Apenas sabia.
Demorei 2 meses a falar com a Ginny. 2 meses inteirinhos. Sempre que ia para falar com ela, acontecia alguma coisa. Ou o irmão a chamava, ou ela dizia que tinha algo para fazer. Até parece que sabia o que eu tinha para falar com ela.Quando acordei no primeiro dia de férias do Natal, apercebi-me que era hoje ou nunca. Olhei para a cama dela e ela não estava lá. Onde estaria a Ginny? Vesti o manto por cima do pijama e saí porta fora do quarto. Também não estava na sala comum. Não acredito que ela me faria procurá-la pelo castelo inteiro. Eu tinha pouco tempo, não podia desperdiçá-lo assim. Quando passei pela Dama Gorda vi o Ron, a Hermione e o Harry. Corri para junto deles.- Viram a Ginny? - perguntei desesperada.- Bem, eu vi-a descer aos calabouços. Deve ter-se esquecido de alguma coisa na sala de poções.- Sim, pois deve. Vou lá ter com ela.Corri até aos calabouços com vontade de amaldiçoar a Ginny por desaparecer assim. Quando lhe pussesse as mãos em cima nem sabia o que lhe ia acontecer.Deparei-me com ela em frente à porta de poções estática.Toquei-lhe no ombro e ela deu um salto que até me assustou.- Que ... que estás aqui a fazer? - perguntou-me ela.- Preciso falar contigo, e não pode passar de hoje.Abri a porta de poções, certifiquei-me que estava vazia e entrámos as duas lá para dentro.- Colloportus- Para que foi isso? - perguntou-me Ginny.- Assim ninguém nos incomoda. Senta-te.Sentámo-nos as duas e olhei-a de frente bem nos olhos.- O que tenho para te dizer pode deixar-te chateada comigo, mas não aguento mais esconder-te isto.Ela manteve-se normal, embora eu tenha reparado que a respiração dela acelarou, sinal que o coração estava a bater mais forte.- À uns meses atrás encontrei o teu diário no chão e li umas passagens que escreveste em relação ao Malfoy.Ela continuou normal, mas começou a mordiscar o lábio, como que a prender o riso.Continuei fingindo que não tinha visto.- E bem, eu tenho-me encontrado com ele porque descobri que tenho um dom que precisava de domar. E ele foi meu professor pois sabia como me treinar.Lá continuava ela a morder o lábio.- Sei que li que gostas dele e preciso dizer-te que também comecei a gostar dele, e por muito que eu não te queira magoar, acho que ele sente o mesmo. - olhei para ela ver como reagia - Claro que não tenho nada com ele se isso te magoar muito. - apressei-me a acrescentar.Foi a gota de água. Ela desatou-se a rir como se alguém lhe tivesse a fazer cócegas nos pés com uma pena.- Que foi Ginny?- Bem, Char ... - ela bem que começou a falar, mas não conseguiu controlar o riso.- Diz de uma vez como te sentes.Ela respirou fundo, olhou para mim e disse:- Eu não gosto dele. Pensei que gostava, mas depressa me passou essa ideia. Claro que leres o meu diário foi um pouco mau, e podias ter confiado em mim esse segredo do dom desde o inicio, mas se gostas dele e ele gosta de ti penso que deves ir em frente.- Então afinal sempre gostas do Harry?- Sim, bem, sempre gostei não é verdade?Começámos a rir as duas, até que me apercebi que o Draco devia estar prestes a ir embora.Corri até à porta (bem que me fartei de correr neste dia) e tentei abri-la. Nada. Tentei outra vez. Não abria nem para um lado nem para outro. Veio a Ginny por trás de mim e disse-me:- Quando fazes um feitiço certifica-te que sabes como o desmanchar! Finite!A porta destrancou-se e lá segui eu (ainda de pijama, só como manto por cima) até à entrada.Corri como nunca tinha corrido, não podia deixá-lo ir sem falar.
Não consegui falar com a Ginny antes do meu novo encontro com o Malfoy. Bem que eu tentei, mas a minha coragem faltou-me sempre.Quando cheguei à sala, ele estava lá a olhar pela janela. Tinha começado a nevar e juntei-me a ele para ver a neve a cair. Esperei que ele me dissese algo, relacionado com o tema da carta, mas esperei em vão. Parecia que o que a Pansy tinha dito se estava a realizar. Ele viu que eu o prejudicava e começou a dar-me para trás.- Passa-se algo? - perguntei-lhe.- É a Pansy. Mandou uma coruja aos meus pais a falar de eu te ter defendido. Agora vou ter de ir passar o Natal a casa e não sei o que me acontecerá.- Poderás não voltar?- Não sei, está tudo em aberto.- Mas ele não te podem tirar da escola a esta altura do ano. Não por causa de tão pouca coisa.- Deixemos de pensar nisso. Não estou arrependido do que fiz.- Não?- Não. - disse-me olhando nos meus olhos. - Vamos então passar ao que nos trouxe aqui.Mais uma vez passámos horas a treinar. Eu já estava a ficar profissional no bloqueio e ele também sabia isso porque disse-me:- Penso que não faz sentido encontrarmo-nos mais para te treinar.Acedi, apesar de tristemente, já me tinha acustumado aquelas quartas que passávamos juntos.- Bem então, nós vamos vendo-nos por aí.- Espera ...Parei. - Preciso falar contigo, mas primeiro tenho de saber se já tiveste a tal conversa com a Ginny.- Bem ... não. Não tenho conseguido falar com ela.- Então acho que a nossa conversa vai ter que esperar.- Não podes nem dizer-me sobre o que é?- Penso que tu sabes ...Ele estava a falar do mesmo assunto que escreveu na carta. Mas onde estava o rapaz decidido que escreveu aquilo?- Quando te sentires pronta sabes como me encontrar. Abres a tua mente e procuras-me. Manterei sempre a mente aberta.Assenti com a cabeça e preparei-me para pegar na minha mala.- Dar-te-ei uma resposta no dia em que fores para casa. Esperas até lá?- Sim. - disse-me ele prontamente, sem ter dúvidas algumas.- Então até lá. Saí da sala, sentindo que ele me observava.Porque disse para ele esperar até ao primeiro dia de férias? Por uma simples razão. Queria ver se o que se andava a passar era verdade ou não. Era quase como um teste, aos seus sentimentos e aos meus.Tinha assim dois meses para falar com a Ginny, e esse tempo era mais que suficiente.Ou assim pensava eu.
"A Charlotte mudou de visual. Se eu pensava que ela era bonita, o cabelo loiro tornou-a ainda mais. Quando estou com ela só consigo imaginar o que vi na sua mente. Sei que fui longe de mais naquele dia, mas precisava saber o que ela pensava de mim. Apesar de ela não saber eu vi nos seus pensamentos que eu era uma constante. Só não consegui perceber se como amigo ou mais do que isso. Sinto que ela se resguarda mais por causa da Ginny. Foi por isso que falei com ela. Sei que a Weasley gosta do Potter e não sei o que leu a Charlotte mas está a afastá-la de mim. Não compreendo as raparigas e os seus sentimentos de amizade pura. Por vezes os amigos só nos atrapalham. Daqui a uns dias vou falar com a Charlotte. Não aguento mais. Daqui a uns meses são as férias do Natal e já que vou enfrentar a ira dos meus pais ao menos que seja por estar com alguém que me faz bem. Não vou deixar passar esta história em vão."*Não acreditei no que li. Senti-me a sorrir e senti lágrimas a virem-me aos olhos. Afinal sempre era correspondida. Como podia agora afastar-me? Como, depois de ler aquilo? Não podia ouvir a Pansy. Estava na altura de enfrentar a Ginny. Restava-me saber se teria coragem. Como dizer à nossa melhor amiga que lemos o diário dela e que lhe andámos a mentir durante semanas? É como a Luna diz, se ela não se magoa de uma maneira vai-se magoar de outra. Tinha de escolher bem as palavras e o momento. Se metesse a pata na poça perderia a minha amiga.Alguém me chamou no meio de todos estes pensamentos. A pessoa que eu mais temia ver naquele momento. A Ginny.A minha sorte foi ela não ter reparado na folha, senão decerto reconheceria aquela letra fina característica do Draco.- Vamos Char, a professora já lá está dentro.- Ah sim? Obrigada Gi, nem reparei!- Como é que não reparaste? Ela passou mesmo à tua frente!- Sabes ... ando meio distraída. Tenho de descansar um pouco mais!- Lá tu sabes! Bem, agora vamos andando para dentro, caso queiras prestar um bocado de atenção à aula!- Sim, claro.Após uma divertida aula a podar mini arbustos, deixei-me ficar para trás, fazia tenções de ir passear junto ao lago, mas a Ginny não me deixou ficar sozinha e ficou lá ao pé de mim. De repente vi a Hermione a entrar. Iriam eles ter aulas ali a seguir a nós?A imagem que vi a seguir respondeu-me. Uma série de Gryffindors entrou, seguidos por Ravenclaw's.Percebi nesse momento que a Ginny tinha ficado para ver o Harry. Assim sendo ela não gostava do Draco. Menos um problema para mim, restava-me apenas o facto de lhe ter lido o diário.- Gi, vou andando.- Sim, eu vou contigo.- Pensei que estivesses à espera do Harry.- Do Harry? Porque iria esperar por ele? Andas muito estranha!- Deixa lá então.Fomos por dentro do castelo, pois de repente tinha começado a chover e vi o Draco de relance a entrar para Transfiguração. Ele decerto não me tinha visto, por isso passei descansada frente à porta. Ele não me tinha visto, mas a Pansy tinha. Olhou para mim, apontou para o Draco que estava de costas para a porta a falar com uns amigos dele e disse-me por gestos "Diz-lhe adeus!".Olhei para ela a sorrir e disse em linguagem de lábios "Podes esperar sentada".Ela ficou com um olhar furioso, encolhi-lhe os ombros e segui. A Ginny que estava ao meu lado ficou a olhar para mim desconfiada.- Para que foi aquilo?- É de uma história antiga, aquilo que o Draco inventou do comboio, lembras-te?- Ah, sim, isso! Histórias mesmo à Draco!!Tinha acabado de me enterrar ainda mais, cada vez a mentira estava maior, tinha de pensar numa maneira de sair dela. E rápido.
Ontem à noite a Ginny só deitou-se já passava da meia noite. Sentia-a suspirar, como se lhe tivesse acontecido a melhor coisa do mundo. Cheirava-me a Harry e esperei estar certa, mas tive de esperar até de manhã para poder saber alguma coisa. Não consegui saber nada de nada. Incrível! Consigo descobrir segredos do Draco de um dia para o outro, mas dos meus amigos da mesma equipa não? Isto está tudo trocado!A novidade da minha mudança de visual já tinha passado à muito mas mesmo assim ainda pessoas ficavam a olhar para mim quando eu pensava, e quando finalmente consegui perceber o que diziam comecei a rir-me sozinha no meio do corredor!"Já viste a Charlotte, agora parece uma Slytherin, por isso é que a Pansy a tentou enfeitiçar ... deve ter inveja."Quando quem disse isto me viu a rir, afastou-se de mim com medo e eu ao aperceber-me disso parei instantamente de rir. Mas que meteu piada meteu. Eu parecia uma Slytherin? Essa era nova, mas não deixava de ser interessante! Lembrei-me logo do Draco. Ele devia ter ouvido aquilo, para se rir comigo. Estava com um ar sonhador quando alguém me tocou no ombro.Era a Pansy.Desde aquele dia em que ela me tentou enfeitiçar que andava prevenida. Nunca mais me esqueci da varinha. Puxei logo dela e pu-la à frente da minha cara.- Não precisas puxar disso, só te venho dar um aviso.Baixei a medo a varinha.- Já te disse que podes baixar isso miúda. Mesmo que tenhas 4 varinhas não conseguias defender-te desta vez, não tens aqui os teus amiguinhos.Olhei para ela de frente, não podia aparentar medo.- Julgas-te forte? Podes até andar atrás do Draco mas ele está destinado a mim, desde que os pais dele me puseram a vista em cima. Ele pode estar a dar-te atenção mas um dia isso vai acabar, quando ele perceber que se está a prejudicar por tua causa. Por isso rapariguinha, o melhor é afastares-te. Não vais ter sempre ranhosos como tu para te defender.Quando abri a boca para lhe responder ela levantou uma folha.- Sabes como sei o que se passa? O teu amigo Draco é muito descuidado! Penso que queiras ler isto. Depois de leres isto deixa-o. Já conseguiste o que querias, podes ir ao teu caminho.Amandou a folha para cima de mim e seguiu o caminho.Decidi guardar a folha cuidadosamente no bolso, não me podia dar ao luxo de lê-la ali no meio do corredor.Sabia que ia ter Herbologia, por isso antes que a Ginny me apanhasse no caminho fui para lá. Precisava de ler o que ele tinha escrito.Cheguei lá e encontrei a Luna com mais alguns colegas. Ela acenou-me e depois seguiu com os colegas.Olhei em volta, não estava ninguém. Tinha chegado a hora de ler o tal papel.
Chegou mais uma quarta, desta vez fui eu a primeira a chegar. Esperei, esperei, esperei. Estava deitada em cima duma mesa a olhar para o tecto quando ouvi a porta a abrir. Caí da mesa com o susto e ouvi uma voz a chamar-me.Levantei-me imediatamente.- Estou aqui.Quando olhei para ver quem me tinha chamado vi que era ele. - Desculpa a demora, digamos que a cena de à dois dias atrás ainda não foi esquecida. - disse-me ele mas não mostrava uma ponta de ressentimento.- Espero que não tenhas arranjado problemas por minha causa.- Não penses nisso, quando eu quiser que a Pansy se cale eu calo-a. Agora vamos concentrar-nos no que nos trouxe aqui, o teu treino.Fiquei logo com uma expressão dura e ele apercebeu-se.- Sei que te tratei um pouco rudemente na outra quarta, mas precisava que visses que tens de levar isto a sério. A mente é algo que deves proteger com a vida, contêm os teus segredos mais profundos. Alguns segredos que nem aos melhores amigos se conta.Ele sabia. Arrepiei-me como se tivesse passado uma corrente de ar. Ele sabia que eu andava a esconder algo à Ginny, mas saberia ele o que era? Não podia dar-me ao luxo de pensar nisso. Era um perigo junto a ele.Passámos 1 hora inteira a treinar o bloqueio e ao fim dessa hora já era capaz de o expulsar com ele ainda nas camadas mais superiores da minha mente.- Hoje conseguiste apanhar-lhe o jeito Spar ... Charlotte.Foi a primeira vez que ele me tratou pelo primeiro nome, sorri-lhe abertamente.- Obrigada Draco. Bem vou andando, preciso de ter uma conversa com a Ginny.Ele pegou-me no braço.- Não lhe contes disto, por favor. Ou então se lhe contares não lhe digas o que ...- O que ?- Nada deixa. Tu é que sabes o que é melhor para a tua amizade.- Sim ... tens razão - disse enquanto abanava a cabeça, iria ele dizer que aquilo era mais do que um treino? - Bem adeus, vemo-nos por aí.- Claro. Por aí.Já ia eu a abrir a porta quando ele disse:- Ficas bonita com o cabelo assim.Corei tanto que não me atrevi a olhar para trás. Se olhasse ele ia perceber o que eu sentia.- Obrigada. - disse-lhe sem olhar para ele.Saí e fechei a porta atrás de mim. Corri até à sala mais próxima, entrei e sentei-me no chão a sentir o meu coração bater descontroladamente. Não podia ir agora para a sala comum, a Ginny ia ver que eu estava diferente e ia bombardear-me com perguntas. Deixei-me ficar por ali, mas assustei-me quando ouvi passos no corredor, pensei que aquele piso aquela hora da noite estivesse vazio. Levantei-me e encostei-me à porta para ouvir quem eram as pessoas que andavam por ali à noite.- A sério, juro-te que o vi vir para aqui. - disse uma voz grossa. Quem seriam aquelas pessoas?Depois respondeu uma voz que eu conhecia. - Viste-os juntos, tens a certeza? Era a Ginny. Perdi todo o ar que tinha. Não podia ser apanhada ali. Ela já devia desconfiar de mim. Só respirei de alívio quando ouvi outra voz femenina a falar.- Achas que se o Harry fosse ter com a Cho vinha para aqui?Tinha sido a Hermione a falar.Então eles andavam atrás do Harry? Quando ia começar a pensar em relação a isso senti a porta a abrir-se. Saltei para trás e fiquei espalmada entre a parede e a porta.- Lumus! - disse novamente a voz grossa, que percebi agora pertencer ao Ron.Não sei como não me viram, mas o certo é que me consegui escapar.Mal os senti longe de mim corri dali para a sala sem parar. Não podia correr mais riscos.Quando entrei vi lá o Harry. Também tinha acabado de chegar e não estava propriamente feliz.- Que se passa? - perguntei-lhe.- Só hoje é que percebi que tenho andado enganado.- Como assim? - estava confusa, completamente confusa.- A Cho não suporta os meus amigos e eu não posso estar com alguém que não suporta aqueles que para mim são importantes.Arregalei os olhos. - Pois, por falar nisso ... os teus amigos e a Ginny andam à tua procura.- A Ginny anda à minha procura?- Pois, deve ter sido puxada por eles, mas sim eu vi-os ainda à pouco!- Viste-os onde?Ups ... percebi que tinha metido a pata na poça. Como ia explicar porque estava no 7º andar à hora do jantar?- Fui dar uma volta e vi-os de longe a entrar no 7º andar.- Bem ... só me resta esperar. Obrigada Charlotte.- Sempre às ordens! Vou subir, tenho trabalhos para acabar.- Sim, sim eu também. Vou ter de me ajeitar até a Hermione poder rever!Ri-me e ele riu-se também.Subi para o quarto como se realmente tivesse algo para fazer, mas não tinha. Pelo menos da escola não. Ia sim pensar. Tudo o que se tinha passado, nunca imaginei aquilo, não com aquela pessoa!
Hoje é o dia da revelação. Já todos os alunos dos Gryffindor me viram com o visual renovado. Acho que até alunos com quem eu nunca tinha falado me tinham vindo dizer que estava muito bonita com o cabelo assim.
Antes de descer para comer decidi falar com a Ginny. Deixei que todas saíssem do quarto e tranquei a porta. Ela olhou para mim de sobrolho franzido mas não deixei que ela refila-se.
- Como andam as coisas em relação ao Harry?
Ela corou até à raiz dos cabelos.
- Porq ... Porque perguntas?
- Porque à muito tempo que não me contas coisas dessas.
- Foi só por essa razão que me trancaste aqui?
- Não só por isso. Quero que me contes o que se anda a passar contigo. Já não falas comigo.
- Falaria se estivesses 5 minutos neste quarto, mas preferes andar sei lá por onde. - disse-me ela já meio zangada.
Aquela verdade caiu-me mal. Eu exigia-lhe que me contasse a verdade, mas eu escondia-lhe o maior segredo da minha vida, gostavámos as duas do mesmo rapaz.
Ela pareceu ver no meu olhar que eu não estava bem porque veio para junto de mim e disse-me com a voz muito mais calma.
- Desculpa não te devia ter falado assim. Só gostava que me contasses o que fazes quando desapareces. Eu iria compreender.
- Sabes Ginny tens razão. Poderia contar-te, mas acho que ambas devemos ter os nossos segredos. Faz bem ter coisas que mais ninguém saiba.
Sorri-lhe, dirigi-me para a porta e destranquei-a.
- Vou descer Gi, encontramo-nos na sala de poções. - disse-lhe enquanto pegava na minha mala que estava ao lado da porta.
Ao sair pela passagem da Dama Gorda ouvi pessoas a chamar-me mas naquele momento não tinha paciência para aturar ninguém. Segui como se nada fosse, fui ao salão pegar numa fatia de bolo e dirigi-me para a porta da sala de poções. Quando me ia a sentar no chão encostada à parede, vi a Pansy vir na minha direcção.
- Vejam quem está loira agora! - ela e as amigas começaram a rir-se como as miúdas que ouvi no inicio do ano, seria aquilo hábito das Slytherin? Estranho! Não lhes respondi, aliás fingi que nem as tinha visto.
- Será que queres agradar alguém Sparcus?
- Deixem-na em paz. - disse uma voz que reconheci imediatamente.
Surgiu o Draco por detrás duma porta, com cara de poucos amigos.
- Porque a estás a defender? - perguntou a Pansy muito ofendida- Se os teus pais sonham que defendes uma ranhosa como ela estás feito.
- O que os meus pais me fazem não te dizem respeito, entende isso.
Ela ficou de boca escancarada e virou-se para mim de varinha em punho como se eu tivesse alguma culpa do que o Draco tinha dito.
- Tu nunca te devias ter metido no meu caminho Sparcus.
Eu entrei em pânico, remexi nos bolsos à procura da varinha quando me lembrei que a tinha deixado em cima da mesa de cabeçeira. Que ia fazer agora? Ela estava à minha frente armada, eu estava encostada a uma parede apenas com três passos que me separavam dela.
Ela gritou qualquer coisa que eu não consegui ouvir, porque de repente vi uma chuva de cores pelo corredor. Parecia-me que três ou quatro pessoas tinham lançado feitiços ao mesmo tempo. O feitiço dela acabou por atingir a parede ao meu lado, e quando todo o fumo passou, vi-a de cabelo a fumegar. Olhei em minha volta e vi o Draco, a Hermione e o Harry de varinha em punho. Olharam uns para os outros espantados e baixaram logo as varinhas.
- Vão-se arrepender do que fizeram. - gritou Pansy enquanto corria, e ao passar pelo Draco lançou-lhe um olhar de ódio - Tu nem sabes o que te espera.
O Harry e a Hermione juntaram-se a mim e perguntaram-me se estava tudo bem, mas eu não lhes conseguia prestar atenção, vi o Draco a olhar para mim e decidi tentar mandar-lhe uma mensagem mental, na esperança que ele tivesse baixado a guarda naquele momento. Não me enganei, entrei facilmente nas memórias dele, mas não estava ali para vasculhar mas sim para depositar uma mensagem.
"Obrigado"
Ele pareceu reagir bem à minha mensagem, parecia até já estar à espera dela. Sorriu-me e depois continuou passando por trás da Hermione e do Harry que ainda estavam junto de mim. Ouvi-os a sussurrar coisas que tinham a ver com o Draco. "Viste o que ele fez?" * "Vi, mas nem acredito, será que ele está a mudar?" * "Mudar, o Draco?Não acredito, deve ter alguma na manga."
Seria isso verdade? Estaria ele a usar-me? Se assim o fosse ele devia estar a utilizar as aulas de quarta para me enfraquecer . Não queria acreditar nisso, mas o passado dele fazia-me desconfiar.
Chegou sábado!Saí bem cedo com a Ginny e encontrámos a Luna à entrada com duas torradas na mão uma para cada uma das duas (foi muito atenciosa!).Íamos as três pelos campos fora até ao caminho que nos levaria até Hogsmeade quando a Luna começou a falar. - Por onde vamos andar hoje?- A Char quer fazer uma mudança de visual!- Ahhhh, queres agradar o menino com quem te tens andado a encontrar?A Ginny e eu estacámos no caminho mal ouvimos aquela pergunta. A Ginny virou a cara lentamente para mim com um olhar de "Eu tinha razão!". Tinha de arranjar uma maneira de me escapar, mas já me sentia tão mal por andar a mentir às minhas duas melhores amigas que essa mentira tinha de ser em parte verdadeira.- Não há ninguém Luna, donde tiraste essa ideia? - disse eu a rir-me - Simplesmente houve uma pessoa que me fez sentir mal comigo própria e preciso de mudar para me recuperar perante ela.Não menti assim tanto quanto isso, apenas ocultei o facto da pessoa que me deitou abaixo ser o Draco.A Ginny pareceu acreditar, mas a Luna ficou desconfiada e eu sei bem disso pois ela lançou-me um olhar que dizia "Mais tarde falo contigo". E realmente falou!Quando me apanhou sozinha (a Ginny tinha ido à casa de banho) não perdeu tempo!- Eu vi-te com o Draco, Charlotte. Não sei o que fazias com ele e acho que és crescidinha para saberes o que fazes, mas não sei porque mentes à Ginny.Fiquei toda atrapalhada e vi que não tinha mais por onde fugir.- Acho que a Ginny gosta do Draco e não quero magoá-la se isso for verdade.- E pensas que quando ela descobrir que te andas a encontrar com ele às escondidas ela não vai ficar magoada?- Eu não me ando a encontrar com ele por razões amorosas. - confessei-lhe.- Então o que te leva a ires ter com ele se antes não o suportavas?Acabei por contar-lhe a história dos dons de legimilância e ela ficou com um ar sonhador, como se estivesse à procura de situações em que me tivesse visto a usar os dons . Quando lhe ia perguntar o que devia fazer em relação à Ginny, ela apareceu.- Já acabaram as vossas cervejas de manteiga?Acenámos ambas afirmativamente.- Então vamos embora por favor.Acedi pois pensei que ela se quissese despachar para irmos para Hogwarts mas mal olhei para o lado vi o Harry sozinho com a Cho. Já não conseguia compreendê-la ... ela gostava do Draco ou do Harry? Tinha de falar a sério com ela, mas não podia ser agora, estávamos ali por outro motivo!Percorremo as ruas de Hogsmeade até chegarmos a um cabeleireiro chamado Cortes Mágicos. Entrámos e foram elas que escolheram o meu penteado sem eu ver. A Luna deu-se a trabalho de trazer um gorro que me tapasse todo o cabelo para ser uma autêntica surpresa.Depois de sair do cabeleireiro, seguimos para a loja de roupas mais próximas, Candice. Aí escolhi roupa que em muito se diferia do meu antigo estilo. Deixei que a Ginny e a Luna escolhessem algumas roupas mas nem vi ainda, mas deduzo que a Ginny me tenha comprado umas belas calças e que a Luna me tenha comprado algum acessório ou camisola extravagante!Elas as duas obrigaram-me a ir até ao castelo sem ver a mudança que o meu cabelo tinha sofrido, senti que me tinham alisado os caracóis mas mais do que isso não consegui perceber.Mal cheguei ao quarto, dirigi-me ao espelho e vi o reflexo de ambas a sorrirem-me. Tirei o gorro rapidamente e de dentro dele saiu um longo cabelo loiro, com ligeiras ondulações. Fiquei de boca aberta mas depressa me passou o choque, aquela mudança não podia ser melhor. Decerto iria chamar a atenção do Draco, e mostrar-lhe que sou forte, conseguindo ou não fechar a minha mente.
Retiro TUDO o que disse de bom sobre o Draco. Ele é um mesquinho, convencido, mimado, estúpido.
Na nossa "sessão" de treino acusou-me de ser fraca, de não ter força mental. Fez de propósito para aceder à mais profunda camada da minha mente, onde ficou a saber segredos que nem as paredes sabem. Ele dizia-me para me concentrar, mas depois nem me deixava respirar fundo, que já lá estava bem dentro da minha cabeça.
Mas bem no fim do nosso "encontro" consegui expulsá-lo, bem antes de ele ver que eu o estava a ver como mais do que amigo (foi uma sorte). Quando ele deu pela tarde acabada já eram quase 20 horas e saí sem lhe dirigir a palavra, embora ele tenha dito como que a provocar-me:
- Até quarta Sparcus.
Saí da sala que tinhamos aberto através do Alohomora e fui para a sala comum dos Gryffindor para pousar a mala e ir comer.
Quando cheguei ao dormitório encontrei a Ginny sentada na cama a escrever no diário. Virou a cara para mim quando eu entrei e perguntou-me entre risos.
- Foste outra vez ter com o menino mistério?
Corei sem saber porquê.
- Que menino mistério?
- Char, minha cara - disse ela enquanto pousava o diário e se levantava - desapareceste três dias seguidos. Queres fazer-me acreditar que não te tens encontrado com alguém?
- Gi, tens andado a ler muitos as histórias cor-de-rosa do Profeta. Já uma pessoa não pode ir passear, para aproveitar as noites tão boas que ainda estão?
Ela olhou para mim com ar de desconfiada como se soubesse que eu escondia algo. Mal ela sabia que tinha razão. Rezei a todos os anjinhos para que ela também não tivesse o dom do Draco, porque senão não lhe conseguiria esconder nada. Foi aí que me lembrei, porquê roubar-lhe o diário? Podia ter acesso aos pensamentos dela quando a achasse triste, mas para isso teria de lhe contar acerca do meu dom e acho que era cedo demais, ainda nem eu própria tinha assimilado aquilo do qual eu era capaz.
De um momento para o outro a sua expressão pareceu aliviar-se e mudou de tema sem sequer se lembrar do que tinhamos falado:
- Que vamos fazer em Hogsmeade sábado?
Uma ideia relâmpago veio-me à cabeça.
- Vamos fazer uma mudança de visual.
- A quem? - perguntou-me ela entusiasmada.
- A mim! - respondi-lhe.
- Porque queres mudar de visual?
- Para me sentir uma nova pessoa. - disse eu, enquanto atirava o cabelo para trás, fazendo com que a Ginny se ri-se.
- Então está combinado, sábado vai ser o nosso dia!
Descemos para jantar as duas juntas a rir e no patamar do 1º andar encontrámos a Luna, que como sempe vinha distraída.
- Luna, sábado queres vir a Hogsmeade connosco? - perguntei-lhe.
- Han ... sim ... acho que pode ser. - disse enquanto via uma revista que estava de pernas para o ar.
A Luna pode até ser a pessoa mais distraída e excêntrica do mundo, mas nós gostamos dela, tal e qual ela é. Despedimo-nos dela e continuámos o nosso caminho. Chegámos a entrada do salão e quem lá estava? O Draco! Pergunto-me se ele agora não estará a seguir-me. Ele ouviu os nossos risos e olhou para trás e quase que juro que me piscou o olho. Senti a Ginny a estremecer ao meu lado o que confirmou o que eu tinha lido no diário. Ela gostava mesmo dele, ou então o Harry andava nas redondezas. Não me prendi muito a olhar em volta, passei directamente ao lado do Draco para ir jantar. Senti a mão dele a tocar no meu braço mas nem olhei para o lado.A partir de sábado ele ia ver quem era a fraca, quem era a desconcentrada. A razão para a minha decisão de mudar de visual foi o Draco e aquele olhar mesquinho dele. Fez-me sentir mal comigo própria e agora eu ia abrir-lhe os olhos. Só me restava esperar por sábado.
Depois de um dia de aulas fui deixar a Ginny ao campo de treino de Quidditch e segui sozinha pelos campos acima. Na torre do relógio vi a Pansy e pensei logo que por perto devia estar o Draco e não me enganei! Quando fiz a curva lá estava ele, desta vez sozinho. Quando me viu, libertou a mente e deixou-me ler os pensamentos dele : "Vai para a biblioteca que eu vou já lá ter contigo, tenho uma proposta para te fazer".Segui em frente como se nada se tivesse passado, senão poderia chamar à atenção da Pansy.Esperei por ele durante 5 minutos e logo depois ele apareceu. Vinha a olhar para todos os lados e acenou-me para ir para uma parte mais escondida da biblioteca. Quando ele falou fê-lo num tom tão baixo que quase tive de me colar a ele:
- Estive a pensar nos dons que tens, e se quiseres posso dar-te umas dicas de como deves bloquear a tua mente. -
disse-me enquanto se acomodava numa cadeira.Pareceu-me uma proposta boa e decidi aceitar. Combinámos que eu deveria estar no sétimo piso às quartas sempre às 18:30. Desencostei-me dele para que quem nos visse não pensasse coisas erradas, mas ele voltou a puxar-me pelo braço para o lugar onde estava. Só quando se apercebeu que poderiamos ser vistos é que me largou ficando corado. Fiquei extremamente surpreendida. Nunca pensei que ele corasse, não ele que é (ou era) tão convencido.Deixámo-nos ficar à conversa, falámos da mente, do nosso dom, das rivalidades entre as nossas equipas, dos nossos amigos. Foi aí que me lembrei da pergunta que esteve em aberto durante o dia inteiro. Perguntei-lhe o que tinha dito à Ginny, e ele ficou todo atarantado.- De que estás a falar?- Não finjas que não sabes. Eu li num apontamento da Ginny que se viram ontem à noite, só não sei o que lhe disseste.Ele calou-se por momentos e depois acabou por confessar-me.- Disse-lhe que te tinha visto ao pé do lago com um rapaz.Por pouco não me comecei a rir (de alívio). Eu que pensava que ele tinha dito que tinha estado comigo.Ele reparou no meu alívio e começou a rir-se também. Pela primeira vez ouvi o riso dele com atenção. Senti-me feliz por estar com ele e isso para mim foi estranho. Eu estava feliz por estar com o Draco Malfoy. A Ginny é que devia saber disto, para não dizer que eu não o suporto. Sinceramente, acho que é muito o contrário. Acho.